terça-feira, 22 de abril de 2008

Feira em Viana nas costas da ASAE

Padre foi o principal cliente em leilão de perdidos e achados da PSP

Viana do Castelo, 22 Abr (Lusa) - Um padre foi o principal cliente de um leilão de perdidos e achados realizado no Comando da Viana do Castelo da PSP, ao "investir" 157 euros em guarda-chuvas, roupa, calçado, telemóveis e objectos em ouro.
"Trouxe comigo 120 euros, mas há não problema, que eles fiam-me, porque já sou cliente da casa", disse à Lusa o padre Ernesto Faria, presença assídua nos leilões que todos os anos a PSP de Viana do Castelo realiza, para se desfazer dos objectos perdidos que ali são entregues.
Pároco de Aldreu, no concelho de Barcelos, Ernesto Faria disse que os guarda-chuvas são para pôr à disposição do pessoal que presta serviço no Núcleo da Cruz Vermelha Portuguesa daquela freguesia, a que preside.
"É um objecto que faz sempre falta", salientou.
Na bagagem, Ernesto Faria levou também muitos sacos de roupa e de calçado, que conta disponibilizar às pessoas mais necessitadas, além de algumas peças em ouro, entre as quais uma pulseira, pela qual desembolsou 51 euros.
"O ouro é dinheiro em caixa, tem sempre utilidade", disse o sacerdote, que num leilão anterior chegou a arrematar ali uma motorizada.
No leilão de hoje, a PSP tinha para "despachar" mais de uma milhar de peças, na sua esmagadora maioria "esquecidas" nas grandes superfícies comerciais da cidade.
"Agora, com os shoppings, as peças vêm às carradas, um indivíduo vê-se grego para dar vazão a tanta coisa", afirmou António Araújo, leiloeiro de serviço e responsável pelos "perdidos e achados" da PSP.
Os guarda-chuvas eram, de longe, os objectos mais numerosos e dos mais arrematados, aos molhos de quatro e cinco, mesmo depois de o leiloeiro avisar que nem todos funcionavam.
Aliás, uma das primeiras arrematações foi um pacote de quatro guarda-chuvas, dos quais apenas um estava operacional, por 20 cêntimos.
Uma máquina de filmar, esquecida por um turista estrangeiro num táxi, uma motorizada e várias peças de lingerie contavam-se igualmente entre os artigos a leiloar.
Como manda a lei, a PSP guarda os artigos durante um ano, após o que, se não forem reclamados, os leiloa, emitindo até o respectivo recibo, "não vá o diabo tecê-las" e um qualquer comprador ser "importunado" na rua por alguém que reconhece o seu casaco, o seu telemóvel ou o seu relógio.
O valor apurado no leilão reverte para os Serviços Sociais da PSP, que sustentam, nomeadamente, casas com rendas sociais para agentes mais carenciados ou bolsas para estudantes universitários filhos de polícias.
"No ano passado, o leilão rendeu 600 euros", informou António Araújo.
Maria Pureza Pacheco, 58 anos de idade, orgulhava-se de ter conseguido "uma verdadeira pechincha": quatro pares de óculos por apenas três euros.
"São para o meu filho, que é taxista. Ainda há pouco lhe comprei uns óculos que custaram 120 euros e ele perdeu-os. Agora, já deve ficar servido por uns tempos", disse.
Reformado dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Manuel Mota é outro dos "ferrinhos" destes leilões e, hoje, arrematou, em poucos minutos, três telemóveis, que vai juntar aos cinco que já tem lá em casa.
"Gosto de relógios e de telemóveis, compro para ter lá em casa", confessou.
Particularmente activa neste leilão mostrou-se Alexandrina, uma voluntária no Centro Hospitalar do Alto Minho que já tinha desembolsado perto de 80 euros em roupa, louça, bijutaria, relógios, guarda-chuvas e, até, um chuveiro.
Alexandrina não se esqueceu da mãe, 84 anos de idade, e levou-lhe um casaco e um terço "para ela rezar".
Hélder Magalhães, 21 anos, foi dar uma espreitadela ao leilão, à procura de telemóveis, mas acabou por levar, por apenas meio euro, um cinturão azul, "de marca", de karaté, modalidade que pratica.
O próprio leiloeiro também levou um cinturão de karaté, não porque seja praticante de artes marciais, mas sim porque "pode dar muito jeito para pendurar às costas a máquina de sulfatar".De resto, muitas das peças arrematadas foram depositadas num caixote, para serem entregues a instituições de solidariedade social, entre as quais o "Berço", um centro de acolhimento temporário de bebés e crianças em risco.

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