terça-feira, 13 de maio de 2008

Baleados em ajuste de contas no Cerco

Um clima de guerra instalou-se, ontem à tarde, no Bairro do Cerco, um dos mais problemáticos do Porto. Um segurança da noite conhecido pela alcunha "Pitbul" e a namorada foram baleados nas pernas por um grupo de indivíduos que invadiu um dos blocos do bairro. Ao que tudo indica, tratou-se de um ajuste de contas relacionado com desacatos ocorridos numa discoteca, que teriam envolvido o ferido. A PSP teve de comparecer em força no aglomerado habitacional. A violência decorreu pouco depois das 15 horas, quando um grupo de cerca de uma dezena de indivíduos, de etnia cigana, dirigiu-se ao Bloco 2. Na escadaria de acesso às habitações, "Pitbul", de 34 anos, foi o primeiro a ser alvejado. O autor do disparo ainda lhe terá apontado a arma ao peito, mas acabou por optar por um tiro na perna. A companheira, Elisabete, de 24 anos, foi a próxima vítima. O casal deu entrada no Hospital de S. João, no Porto, com ferimentos ligeiros e teve alta durante a tarde. De acordo com depoimentos recolhidos pelo JN no local, tudo aconteceu em poucos minutos. "Ouviram-se três ou quatro disparos e vi o grupo dos agressores sair a correr", contou uma testemunha, que não se quis identificar, acrescentando que o grupo estava "armado com pistolas". Uma das casas ainda foi atingida por um dos disparos. Três veículos terão sido usados na fuga. Em poucos minutos, diversos elementos policiais, alguns munidos de "shotguns" (caçadeiras), chegaram ao bairro. Os protagonistas do ajuste de contas já tinham dispersado. Dezenas de pessoas foram-se concentrando no local do incidente, num ambiente de cortar à faca. "Isto não vai ficar por aqui", vaticinava um morador, temendo novos confrontos. De acordo com um conhecido das vítimas, os disparos foram uma "resposta" a um desentendimento ocorrido numa discoteca do Porto, por motivos alegadamente fúteis. "Foi vingança", dizia-se. Havia, no entanto, quem assegurasse que o indivíduo alvejado até nem seria o alvo principal, apesar das suas ligações à "noite". Quando os ânimos pareciam estar mais calmos, e já com um forte contingente policial no local, o rastilho reacendia noutro ponto do aglomerado habitacional. A dado momento, ouviu-se o som de possíveis disparos. Agentes da PSP que se encontravam junto ao bloco 21 pediram auxílio, devido à reacção mais efusiva de alguns moradores. Vários polícias meteram-se nas viaturas e seguiram de imediato para local crítico. Fonte policial adiantou que elementos da investigação criminal tinham sido alvo de "objectos" arremessados das casas. Um dos supostos envolvidos foi algemado e levado pela PSP, debaixo de insultos e gritos de revolta de moradores, que protestavam contra a intervenção. Queixas de moradoresCom a confusão de novo instalada - desta vez por breves momentos - vários residentes no bairro lamentavam que as cenas de violência sejam cada vez mais frequentes. Motivo o aumento do tráfico de droga. "Desde que os do 'Tarrafal' (designação popular para o Bairro S. João de Deus) vieram para cá que o sossego acabou. É uma pouca vergonha. À noite não conseguimos dormir", desabafou uma moradora, ao JN. No local estiveram também elementos da Polícia Judiciária, para procederem à recolha de vestígios. No entanto, os autores dos disparos terão tido o cuidado de recolher os invólucros das balas. Ao final da tarde, a acalmia tinha voltado ao bairro. Mas poderia não ser por muito tempo, acreditavam moradores, admitindo novos ajustes de contas.
Jornal de Notícias

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