terça-feira, 13 de maio de 2008

Polícias na mão de gang do terror

Mal se atrevem a meter os pés no Elefante Branco, em Lisboa, os dois polícias esbarram em Pedro Gameiro e Raul Teixeira. O primeiro ordena que peçam desculpa e o segundo recebe ‘Carlos’, do Corpo de Intervenção da PSP, a soco na cabeça. O agente cai desmaiado e, arrastado até à rua, é espancado a socos e sucessivos pontapés no corpo. "Bófia do c..., agora é que tu vais ver" e "bófia de m...", grita Gameiro, enquanto Teixeira desfere socos no inspector ‘José’, da ASAE.
No dia a seguir, em Setembro do anopassado, Gameiro estava preocupado com possíveis chatices mas, por telefone, o líder do gang e ex-PSP Alfredo Morais deixava-o descansado. Marcaria um jantar com os polícias agredidos e resolveriam o assunto para não haver mais problemas, lê-se nas transcrições a mais de 30 escutas telefónicas a Alfredo e mais de 200 a Gameiro – o número dois de uma organização criminosa que espalhou o terror na noite de Lisboa durante anos.
Impunham mulheres controladas pelo grupo nos bares que entendiam; extorquiam milhares de euros aos donos em troca de suposta segurança e sob ameaças de violência e exploravam a prostituição na pensão Classe A.
A acusação do Ministério Público visa o gang e pessoas associadas mas no extenso documento a que o CM teve acesso muitas são as referências a polícias coniventes com o grupo. Depois das agressões aos polícias, por exemplo, ‘Jaime’, da Brigada de Trânsito da GNR, telefona a Teixeira e diz--lhe que está "f...". A PSP foi até ao Elefante Branco e identificou-o. Mas ele disse que não viu nada.
Há vários casos (ver caixas), como a cunha que ‘Mário’, chefe da PSP, mete a Alfredo Morais por telefone. Na chamada, feita em Outubro do ano passado, ouve-se o polícia a perguntar-lhe se tem "algum conhecimento dentro da Universidade de Alcoitão. Queria meter lá uma moça".
AMIGO DO SEF LEGALIZA E PSP DÁ CONSELHOS
Em Dezembro do ano passado Pedro Gameiro fala com Raul Teixeira sobre a legalização de ‘Adilson’ e diz que um amigo seu do SEF "pode tratar disso". Meses antes, em Julho, Pedro França Alemão, ex-namorado de Catarina Fortunato de Almeida e também acusado, liga a ‘Luís’, da PSP, que lhe diz estar a comandar a esquadra da Venda Nova, na Amadora. Alemão queria apresentar uma contra-queixa por agressões e encontrar-se com o polícia, para este o aconselhar. Quando a Divisão de Investigação Criminal da PSP desmantelou esta rede, em Novembro, deparou-se com o material guardado em casa de Rui Baptista: crachá da PSP, colete à prova de bala e pirilampo de emergência.
ERAM AVISADOS PARA ESCAPAR ÀS OPERAÇÕES
No último mês de Setembro, antes da intervenção final da Divisão de Investigação Criminal da PSP, Pedro França Alemão queixava-se a Pedro Gameiro por telefone: tinha sido alvo de uma operação policial porque não houve "bicadas" – "depreendendo-se que, por uma vez, ninguém avisara Alemão sobre a referida operação", considera o Ministério Público. Com a conivência de pessoas em postos--chave, este gang conseguiu impunemente e durante anos controlar o alterne da noite de Lisboa, agredindo clientes e extorquindo os proprietários.
Correio da Manhã

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