quinta-feira, 12 de junho de 2008

Agentes trabalham no Porto em barracas, convivem com "ratos gordos" e vêm o tecto cair-lhes em cima

Porto, 10 Jun (Lusa) - A maioria dos agentes da PSP/Porto trabalha em instalações cair aos pedaços e alguns convivem mesmo com ratos "grandes e gordos", disseram hoje, à Lusa, fontes sindicais.
"Em 90 por cento dos casos, são instalações que não satisfazem ou que estão mesmo em muito mau estado de conservação", assegurou Agostinho Pinto, da estrutura regional da Associação Sindical dos Profissionais Polícia (ASPP/PSP).
"Não são 90 por cento, são todas", corrigiu Eduardo Pinto, do Secretariado Metropolitano do Porto do Sindicato Nacional Polícia (SINAPOL).
"O que escapa é o Comando, onde as instalações foram requalificadas com o maior luxo. Onde há atendimento público, está tudo com carências graves", frisou o sindicalista.
Os três mil agentes a prestar serviço na área do Comando Metropolitano da PSP/Porto, que compreende nove municípios, repartem-se por cerca de 50 imóveis e quase todos têm razões de queixa.
O pior cenário é, contudo, o da própria cidade do Porto onde, segundo as estruturas sindicais, "a prioridade das prioridades" é a reinstalação da esquadra do Bairro do Lagarteiro, que funciona num pré-fabricado.
Nas imediações da estação ferroviária de Campanhã, fica a esquadra de Pinto Bessa, tão má que a Inspecção-Geral da Administração Interna chegou mesmo a propor a sua desactivação em 2003.
Nas instalações policiais da rua do Naulila, na zona das Antas, a "situação começa a ficar incomportável", devido à exiguidade do espaço.
A esquadra é, no dizer dos sindicatos, um "três em um", porque recebeu os agentes do posto do Bairro São João de Deus, entretanto desactivado, e a 3ª Esquadra de Investigação Criminal.
Estas instalações foram sujeitas a obras, por alturas do Euro 2004, mas nem isso impediu que em Janeiro de 2007 engrossasse a lista das esquadras onde, volta e meia, caem pedaços do tecto.
Neste particular, os registos da ASPP/PSP são abundantes, assinalando também quedas parciais de tectos em instalações da Divisão de Investigação Criminal (DIC), na rua dos Bragas (Abril de 2006), e na rua da Boavista (Dezembro de 2007).
O mesmo sucedeu nas instalações policiais da rua Infante D. Henrique (Novembro de 2006), mesmo depois de obras naquela que chegou a ser rotulada de "Esquadra do Século XXI".
A lista completa-se com uma derrocada do tecto na esquadra da Foz do Douro (Fevereiro de 2007), ferindo um polícia, e na de Cedofeita (Março de 2007), aonde, já este ano, caíram azulejos da frontaria.
Na rua João de Deus, a envelhecida esquadra tem soalhos apodrecidos, que favorecem a cíclica visita de ratos "grandes e gordos".
Nas periferias, o caso de Valongo é dos mais problemáticos: as instalações policiais da sede do concelho são exíguas e antigas, enquanto que em Ermesinde uma divisão da esquadra foi transformada em depósito dos tacos que levantaram por todo o lado, devido a infiltrações de água no prédio.
Em Gaia, os problemas multiplicaram-se com o alargamento da área de intervenção da PSP a praticamente toda a corda litoral do concelho.
De entre as instalações "herdadas" da GNR, a de Canidelo é a pior, por ter vários problemas estruturais e se encontrar numa rua sem saída, que até permite, a quem quiser, bloquear a saída de uma brigada policial.
"Infelizmente, as instalações policiais do Grande Porto são todas muito equivalentes pela negativa", sintetiza Agostinho Pinto, da ASPP/PSP.
O Ministério da Administração Interna (MAI) anunciou, em Abril, que prevê investir 218 milhões de euros até 2012 em instalações das forças de segurança.
Um dos investimentos passa pela construção de 55 novas esquadras para a PSP.
JGJ.
Lusa/fim

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