domingo, 15 de junho de 2008

MAIS UM CALOTE

Setúbal. 0s 60 agentes que fizeram turnos de quatro horas à porta do prédio onde houve uma explosão, durante dois meses, ainda não receberam. Câmara e Governo Civil rejeitam factura.

Agentes aguardam pagamento de 20 mil euros

Os cerca de 60 agentes da PSP de Setúbal que durante mais de dois meses asseguraram o policiamento do prédio que explodiu na Praceta Afonso Paiva, em regime de serviços remunerados (além do horário normal de trabalho) ainda não receberam os salários, que totalizam mais de 20 mil euros. O descontentamento agrava-se entre os profissionais, sobretudo porque continua por definir quem deverá ser chamado a liquidar a dívida. Alguns agentes já escreveram à Direcção Nacional da PSP a denunciar o caso e admitem mesmo vir a elaborar um processo administrativo.

Fonte policial garantiu ao DN que as seis dezenas de gratificados, que durante os passados meses de Janeiro e Fevereiro fizeram a segurança do prédio que explodiu a 22 de Novembro de 2007, por turnos de quatro horas, "só trabalharam ao frio e à chuva, porque precisam desse dinheiro", havendo agentes cuja dívida ascende a 400 euros.

O recurso aos gratificados da PSP para vigiar o prédio aconteceu quando o Governo Civil de Setúbal deu por terminado o estado de alerta, na última semana de Dezembro, tendo a autarquia procedido à cassação da licença de habitabilidade. Os moradores mostraram-se preocupados com a segurança dos bens que estavam no interior dos apartamentos. O problema é que durante os dois meses de serviço nunca apareceu o dinheiro para pagar aos polícias, o que levou o Comando a suspender os gratificados, enquanto moradores, Governo Civil e câmara se recusaram a assumir a dívida.

O porta-voz dos moradores, Luís Caturra, assegura "nunca" ter sido comunicado aos proprietários do prédio que deviam ser eles a pagar a dívida, alertando que "a factura foi emitida para a autarquia. É um problema para resolver entre câmara e Governo Civil, porque quem ficou inseguro e sem polícia fomos nós", sublinhou Caturra.

O município tem sustentado que a responsabilidade do pagamento à PSP pertence ao Estado, revelando uma fonte da autarquia ter chegado a edilidade a adjudicar um sistema contra intrusão no prédio que "foi rejeitado pelos moradores".

Já a governadora civil, Eurídice Pereira, admite que a PSP "vai ter de debitar a despesa a alguém", relembrando que o Governo Civil de Setúbal assumiu uma semana de remunerações, "que já pagou", diz, para que "moradores e autarquia resolvessem o diferendo quando este problema surgiu. Agora, não somos nós que temos de pagar.

"O comandante da PSP, Matias David, refere que o Comando está a tentar encontrar soluções, "porque os agentes têm o direito de receber. Não sei quando, mas vão receber", sublinhou ao DN, alertando que o responsável pela dívida "é quem provocou a explosão". Recorde-se que o inquérito da PJ que deverá apurar o culpado ainda está em curso, depois de já terem sido ouvidas mais de cem pessoas.

Fonte: DN Online

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