domingo, 8 de junho de 2008

MÉXICO - nove pessoas mortas por dia

O principal responsável pelo combate ao narcotráfico no México foi morto na sua casa por traficantes que tinham a chave. O número dois da polícia em Ciudad Juárez morreu crivado de balas e o seu chefe demitiu-se após receber ameaças através da própria rádio da polícia. Pelo menos três oficiais pediram asilo aos EUA, temendo ter o mesmo destino que 450 agentes e militares que já foram vítimas desta guerra sem fim.

Este é o cenário que se vive no México, onde diariamente são encontrados corpos decapitados na rua. Junto às cabeças, bilhetes com ameaças para os polícias ou para cartéis rivais. Desde que o Presidente Felipe Calderón chegou ao poder, em Dezembro de 2006, e enviou para as ruas mais de 40 mil militares e agentes federais, já morreram 4100 pessoas, a maioria membros dos cartéis. Entre Janeiro e Junho, morreram 1400 pessoas, ou seja, mais de nove por dia.

Até ao momento, o exército efectuou mais de 5800 detenções, interceptando 2900 toneladas de marijuana e 24 de cocaína (fazendo aumentar o seu preço nas ruas norte-americanas), com um prejuízo estimado de 20 mil milhões de dólares para os traficantes.

"Evidentemente, quando os encurralamos e os enfraquecemos, eles respondem com violência", disse recentemente o procurador-geral Eduardo Medina Mora, à rádio Formula. As acções de Calderón contra o narcotráfico, autorizado pela primeira vez a expulsão dos principais líderes detidos para os EUA, gerou uma luta interna pelo poder, com os cartéis a lutarem entre si para garantirem as rotas de tráfico.

"A batalha que está a acontecer no México todos os dias resulta na morte de polícias mexicanos, contudo a maioria dos consumidores são americanos", lamentou Calderón, que pediu um maior esforço da parte de Washington para combater o narcotráfico. Em causa está o Plano Mérida, através do qual o Governo dos EUA oferece treino e melhores armas e aviões aos mexicanos para esta guerra. Mas o Congresso só destinou 500 milhões de dólares para o plano, um terço do que o Presidente George W. Bush tinha prometido.

Após os tiroteios entre cartéis rivais, a polícia encontra centenas de balas de espingardas e metralhadoras, mas os seus agentes andam mal equipados, cada um com direito a pouco mais que um carregador com 20 balas. As autoridades precisam dar mais condições aos seus militares ou vão acabar por enfrentar o mesmo nível de corrupção que existe dentro das esquadras de polícia locais. Os salários são baixos e as taxas de deserção são elevadas.

Apesar de todo o esforço de Calderón, uma sondagem divulgada no início do mês pelo jornal La Reforma revelava que 53% dos mexicanos pensam que os narcotraficantes estão a ganhar esta guerra. Só 24% acham que o Governo está a sair vencedor, apesar de 64% apoiarem o trabalho do Presidente.
Fonte: Diário de Notícias

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