domingo, 27 de julho de 2008

Chefe Serranito reuniu 429 bonés de polícia

Colecção. O adjunto do comandante da 1.ª Esquadra da PSP de Setúbal tem, em casa, um minimuseu de adereços da polícia de todo o mundo. Chapéus, distintivos, algemas, cassetetes e pins, na maioria adquiridos por intercâmbio, enchem as prateleiras
Quando em Setembro de 1982 ajudou um polícia alemão a recuperar a maioria dos objectos que lhe tinham sido furtados numa visita a Portugal, o chefe António Serranito estava longe de imaginar que o boné e o porta-chaves que o colega viria a oferecer-lhe como reconhecimento seriam o início de uma colecção singular. A partir daí nunca mais parou. Entre trocas, a ajuda do amigo Silvino, ex-guarda-redes do Benfica, e algumas compras, encheu uma das divisões da sua casa de objectos policiais. De bonés a distintivos de braço, de algemas a cassetetes, de pins a porta-chaves. Há de tudo. E dos quatro cantos do mundo.O espaço ocupado por esta espécie de "mini-museu policial" não anda longe dos dez metros quadrados. O chefe aproveitou um quarto do apartamento onde vive em Setúbal para ir reunindo um espólio, onde os 429 bonés, provenientes de 70 países, são o principal atractivo. Alguns podem valer mais de 500 euros.Nas prateleiras onde os vários exemplares estão expostos, apenas para consumo interno, não faltam os célebres "cabeças de giz", de 1930, utilizados pelos polícias sinaleiros. "São um marco, têm algo de histórico", comenta António Serranito, enquanto vai exibindo as maiores relíquias da colecção - bonés de xerifes americanos e canadianos, boinas vermelhas da polícia do País Basco, o boné dos 'colegas' do Cazaquistão, o capacete utilizado pelas forças policiais da Ilha de Malta, mas também o pomposo boné dos carabinieri italianos.António Serranito não gosta de destacar nenhum em especial, mas perante a insistência lá revela que a sua preferência recai sobre um boné alemão, de 1935, que foi utilizado pela polícia de Berlin, mas também elogia um exemplar da GNR da década de 30, que restaurou, deixando-o como novo. Ao lado está um "cromo difícil": "Andei dez anos atrás do boné da Polícia Montada do Canadá, até que consegui uma troca."De resto, a maioria dos exemplares foram obtidos, justamente, através de intercâmbios. Serranito tirou partido do facto de pertencer à Associação Internacional de Polícia, estabelecendo contactos com as delegações espalhadas pelo mundo. Recorda uma viagem que realizou a Zurique (Suiça), onde o comandante da polícia local lhe ofereceu "uma série de coisas". "Quando levamos algo para trocar e dizemos o que pretendemos, nunca vimos de mãos a abanar. O valor desta colecção também tem a ver com esse sentido de companheirismo", sublinha. Mas foi o aparecimento da Internet que fez disparar os intercâmbios. "Passámos a ter a possibilidade de digitalizar o que tínhamos para oferecer e foram surgindo mais interessados", explica, recordando como na década de 90 chegou a conseguir alguns exemplares russos, através do guarda-redes Silvino, na altura jogador do Benfica. "Nos jogos das competições europeias, Silvino levava sempre uns bonés para tentar trocar e ainda me arranjou dois espectaculares."Neste momento, o agente da PSP de Setúbal não persegue nenhum exemplar em especial, sobretudo porque as prateleiras do quarto, adaptado a mini-museu, estão repletas e só já suportam mais quatro ou cinco exemplares. Além de que comprar está fora de questão. "Se aparecer um boné ou capacete de gala que dê para trocar ainda vou tentar fazer o negócio, mas mais do que isso não, porque há exemplares muito caros, acima dos 500 euros", garante."Uma vez por ano tenho de tirar uma semana de férias só para limpar o pó. É a única forma de manter isto impecável", afiança. E mostra-se disponível para exibir o seu espólio publicamente.

Fonte: DN

Nenhum comentário: