domingo, 20 de julho de 2008

Luz verde para fugir às perseguições

A Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) emitiu uma recomendação para as Forças de Segurança que as proíbe de disparar em perseguições. Em causa, está a recente morte de um jovem baleado na cabeça pela GNR. Os principais sindicatos das polícias já vieram comentar a ordem da IGAI, noticiada na edição deste sábado do Correio da Manhã.
A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia e a Associação dos Profissionais da Guarda consideram que a recomendação da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) para o uso de armas é bem intencionada, mas não chega na melhor altura, noticia a Lusa.
A recomendação da IGAI - que tem lugar depois da morte de um rapaz de 25 anos, que a 05 deste mês não parou numa Operação Stop em Gondomar, tendo sido alvejado na cabeça durante uma perseguição automóvel movida pela GNR - alerta os agentes para os inconvenientes do uso de armas de fogo durante as perseguições policiais. Os disparos em perseguições só são possíveis caso a vida dos agentes ou de terceiros esteja em perigo.
Avisos podem inibir polícias
Segundo Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, «a própria Inspecção-Geral da PSP tem emitido orientações para as perseguições a criminosos, automobilizados ou não, de modo a que não seja colocada em risco a vida de outras pessoas».
«Estes avisos, apesar de bem intencionados, podem inibir a actuação policial e não podemos deixar que seja colocada em causa essa capacidade de actuação, pois ela é um garante da segurança dos cidadãos e da sua confiança nas autoridades», declarou ao jornal.
«Agentes cada vez mais agredidos»
Por seu lado, José Manageiro, presidente da Associação dos Profissionais da Guarda, afirmou à Lusa existir «uma directiva do Comando-Geral da GNR, posterior à recomendação da IGAI e no mesmo sentido desta».
«Compreendo que a recomendação tenha sido emitida após o que aconteceu em Gondomar, mas não me parece que o momento que vivemos seja o mais adequado para este tipo de avisos, pois com a posse de armas por pessoas sem habilitação legal é afectado o direito do cidadão a circular em paz na via pública», afirmou.
«É óbvio que queremos seguir o que já está estipulado na lei e o ideal seria que os agentes nunca tivessem de fazer uso das armas, mas sabemos que não é assim. Os elementos das forças policiais são cada vez mais agredidos e ainda esta semana o posto da GNR da Póvoa do Varzim atingido a tiro», acrescentou.
«Houve a promessa de coletes para a protecção individual dos agentes e de helicópteros que, fora da época de incêndios, ficariam afectos aos serviços policiais, para auxiliar no combate ao contrabando e à imigração ilegal e também para ajudar nas perseguições, mas nada foi cumprido», lamentou José Manageiro.
Fonte: IOL Diário

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