quarta-feira, 30 de julho de 2008

Policia gravemente ferido em perseguição a assaltantes

Elemento da PSP sofreu uma queda de sete metros e está internado em coma induzido com prognóstico reservado



O comandante da PSP de S. João da Madeira ficou gravemente ferido na sequência de uma queda de cerca de sete metros quando procurava uns assaltantes que tinham ameaçado colocar uma bomba no Pavilhão Paulo Pinto, anteontem à noite. O sub-comissário Carlos Duarte ficou politraumatizado, sofreu perfuração de um pulmão e o seu estado é grave e o prognóstico reservado. Cerca das 23 horas a polícia recebeu um alerta que estariam vários indivíduos no telhado do pavilhão, que fica num local onde, nos últimos tempos, têm ocorrido vários assaltos. A patrulha foi imediatamente para o local mas não conseguiu avistar ninguém. No entanto, manteve-se no local até que um novo telefonema, alegadamente feito pelos suspeitos, deixava uma ameaça séria: “Ou vão embora daqui, ou a bomba vai rebentar”. O oficial, de 42 anos, que estava em casa, foi informado e, como habitualmente, não hesitou: avançou para o terreno ao lado dos seus homens, pedindo o apoio da auto-escada dos Bombeiros de S. João da Madeira para subir ao telhado e verificar se havia alguém, ou algum objecto estranho. “Subiu à frente e, quando se encontrava no telhado, já com outro agente, ouviu-se um estrondo, a telha de fibrocimento partiu-se e ele caiu ao lado da piscina”, disse uma testemunha. Embora estivesse sempre consciente, inicialmente estava desorientado. Foi prontamente assistido pelos bombeiros, pouco depois apoiados pela equipa médica do INEM do Hospital de Santa Maria da Feira. Foi estabilizado no local, mas logo aí o prognóstico não era o melhor, como se veio a confirmar no Hospital. “Politraumatismo grave, toraco–abdomino-pélvico e das extremidades, com estado de choque associado. Depois de estabilizado foi internado na Unidade de Cuidados Intensivos, onde permanece, em estado grave e com prognóstico reservado”, segundo o director clínico do Hospital S. Sebastião, João Gregório. Carlos Alberto Pereira Duarte fez 42 anos no passado domingo. É o segundo de três irmãos e, tal como o mais velho, seguiu as pisadas do pai e abraçou a carreira de polícia, onde entrou em 1990 como agente. Homem de luta, “herdou” a faceta humanitária da família, uma característica realçada por todos os que o conhecem. Casado, pai de dois filhos menores, é um apaixonado pela investigação criminal onde, nos anos 90, fruto do trabalho desenvolvido com o seu parceiro, ficaram conhecidos como “Duarte & companhia”. Insatisfeito, estudou e conseguiu atingir primeiro o posto de sub-chefe e depois de chefe, antes de chegar a sub-comissário. Sempre se assumiu como um homem do terreno e nas operações, ou até em acidentes de viação mais graves, está sempre ao lado dos seus homens. Na esquadra tem a particularidade de nunca ter a porta do gabinete fechada enquanto lá permanece. É conhecido pelas inúmeras iniciativas e por implementar um verdadeiro policiamento de proximidade. Entre as iniciativas contam-se os livros de banda desenhada que a PSP de S. João da Madeira, sob o seu comando, distribuiu com conselhos sobre prevenção nas mais diversas áreas e dirigidos a todas as faixas etárias, desde as crianças aos seniores.
Fonte: Diário de Aveiro

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