quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Explosivo militar 'C4' foi usado para rebentar portas blindadas

O 'C4' é um explosivo de acesso restrito às forças militares e policiais



O explosivo alegadamente utilizado no assalto à carrinha da empresa de segurança Prosegur, o C4, é de "uso restrito" a militares e polícias, "não sendo conhecidas utilizações civis". "Quem utilizar o C4, e não souber o que vai fazer, estraga o dinheiro que estará a ser transportado". Esta não foi a primeira vez que em Portugal foram utilizados explosivos em assaltos. A 15 de Abril, um grupo de assaltantes utilizou esses engenhos ao tentar furtar uma caixa multibanco, na Moita. Também o dono da boîte o Avião, em Lisboa, terá sido assassinado com recurso ao mesmo material. O C4 tornou-se popular por via dos atentados terroristas em Bali, na Indonésia. Mas desde há muito que em Portugal é conhecido dos militares e das polícias: "O exército Português e a grande maioria dos exércitos do mundo usam-no para demolições e abertura de portas porque permite uma carga dirigida e tem elevado poder de rebentamento. Pouca quantidade faz muitos estragos". De "fácil transporte" o C4 "é como plasticina, molda-se à medida do alvo a rebentar". Segundo esta fonte, "menos de cem gramas rebenta uma blindagem pequena". Sobre o assalto na A2, fonte policial reconheceu que "carece de estudo prévio, até porque a quantidade a usar depende da blindagem e apenas existe uma única oportunidade. O explosivo, que é extremamente maleável, se colocado no contorno da traseira da carrinha abre realmente um buraco como o que vimos na TV". O explosivo é de fácil transporte, "pode levá-lo no bolso", permite uma explosão "localizada" e, dependendo da blindagem, "uma pequena quantidade faz muitos estragos". A opinião é corroborada por especialistas como José Anes, actual docente na Universidade Nova e antigo dirigente do Laboratório de Polícia Científica da PJ. "É muito moldável e de fácil transporte. É como fazer uma bola de plasticina e levá-la no bolso." Este perito, que estagiou no Laboratório da Polícia Nacional de Israel, reconheceu que "é necessário muito treino e operacionalidade" para o seu manuseio. Em Portugal, apenas as operações especiais do Exército e da PSP (GOE) têm acesso a ele. A Marinha, através dos destacamentos de acções especiais, também o usa, bem como os sogas da Força Aérea. Nas Forças Armadas, o C4 "existe em algumas quantidades". Porém, a fonte militar garantiu que "quando é usado, em treinos ou operações, "a sua requisição tem um elevado controlo administrativo". Um outro operacional do Exército, com experiência em Moçambique, Timor, Turquia e Venezuela, acrescentou: "Num treino requisitamos cem gramas, mas se fizermos apenas oito demolições podemos não devolver o resto à escotaria e empurrá-lo para o circuito paralelo". As autoridades não hesitam em reconhecer que " o explosivo utilizado é da família do C4, um material plástico potente e formado por uma substância que tem duas características: oxidante e redutora". Fonte dos Serviços de Informação e Segurança (SIS) adiantou ao DN : "Existem fortes motivos que nos levam a crer que se possa tratar de PE4A, um explosivo que já foi usado anteriormente em atentados terroristas." José Anes lembra que "a ETA já usou este tipo de material".
Fonte: DN

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