sábado, 16 de agosto de 2008

Taxímetro marcava 5,45 euros mas cobrou nove

Manuel C., 69 anos, entrou na sala de audiência do Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa desorientado e muito nervoso. Parecia não saber por que razão ia ser presente à "senhora doutora juíza". Afinal, a culpa não tinha sido sua, taxista há cerca de 40 anos e com o cadastro imaculado.
Fora a "confusão do trânsito" que se vivia àquela hora da manhã, junto ao aeroporto da Portela, que o levara a cobrar 9 euros às duas turistas japonesas quando o taxímetro só marcava 5,45 euros.
- Elas levavam duas malas de viagem na bagageira... - tartamudeou, a determinada altura, Manuel C., como explicação.
- E o senhor tinha o suplemento de bagagem ligado?, questionou a juíza, pacientemente.
- Pois, senhora doutora juíza, não sei, não me lembro.
- Sabe que o valor do suplemento de bagagem é 1,60 euros? Que somados aos 5,45 euros que o taxímetro marcava totaliza 7,05 euros? - perguntou a juíza.
- Não sei, senhora doutora juíza. Isto é uma grande confusão.
As mãos tremem cada vez mais. Para disfarçar, o taxista - que "faz apenas umas horas" para compor reforma de 436 euros - esconde-as atrás das costas.
Quando os dois agentes da PSP que procederam à sua detenção são ouvidos pelo tribunal, Manuel C. (desta vez, já sentado) nem pestaneja. Olha em frente, alheado, como se não estivessem a falar dele, nem do seu futuro. Afinal, está de consciência tranquila. A culpa não era sua, mas "da confusão do trânsito".
Contudo, os polícias foram taxativos. Manuel C. não tinha o suplemento de bagagem ligado e o taxímetro marcava 5,45 euros. Questionadas as duas clientes, contaram que lhes foi cobrado 9 euros pelo serviço e que esse valor não incluía gorjeta.
Manuel C. não se livrou de uma pena única de 380 dias de multa (1850 euros), nem da obrigatoriedade de afixar no táxi um edital com a pena a que foi condenado. E como "suplemento", levou um sério aviso: "Da próxima vez, não se livra da prisão!"
Fonte: JN

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