sábado, 16 de agosto de 2008

Uma boa operação

“O aplauso só não foi unânime porque há sempre alguém que tem imensa pena dos criminosos e que esquece por sistema as vítimas”



Justiça seja feita. A operação da PSP no assalto a uma agência bancária do BES em Lisboa foi exemplar. A todos os títulos. Os dois assaltantes foram neutralizados e os reféns saíram sãos e salvos depois de muitas horas de angústia. A operação policial não teve qualquer nome especial, tipo ‘Apito Final’ ou ‘Furacão’ e que muitas vezes começam e acabam de forma particularmente ridícula. A operação policial, que os cidadãos puderam acompanhar em directo nas televisões privadas, particularmente o seu desfecho, foi mais importante para a prevenção do crime violento do que muitas leis, decretos-lei, portarias, campanhas e imensas declarações, a maior parte das vezes patéticas, de responsáveis políticos e das forças de segurança. A operação policial mostrou aos cidadãos que ainda podem contar com algumas forças de segurança.
A operação policial foi uma excelente surpresa para os indígenas que andam cada vez mais inseguros e desconfiados com a eficácia de certas polícias e com o funcionamento da Justiça em geral. Finalmente aconteceu uma coisa boa neste sítio cada vez mais perigoso, cada vez mais hipócrita, cada vez mais manhoso e obviamente cada vez mais mal frequentado. Aconteceu uma coisa boa e o aplauso foi praticamente unânime. O que é um excelente sinal e uma enorme prova de confiança das populações na PSP em geral e nos seus grupos especiais em particular. E o aplauso só não foi unânime porque há sempre alguém que desconfia por ideologia das forças policiais, que tem imensa pena dos problemas económicos, sociais e amorosos dos criminosos, esquece por sistema as vítimas e culpa a sociedade por todos os crimes.
Mas essas vozes, felizmente, não chegaram ao Céu, como acontece normalmente com as dos burros. A operação policial, simplesmente uma boa operação, sem nomes pomposos e ridículos, não faz esquecer os pavorosos erros cometidos por outras forças de segurança, os seus enormes fracassos na descoberta de crimes violentos e na sua propensão para o delírio sempre que é preciso esconder incompetências gritantes. A operação policial não faz esquecer o que se passa na Justiça, com leis penais que favorecem a prática de certos crimes, nomeadamente os de natureza económica. Mas a operação da Polícia de Segurança Pública veio dar aos cidadãos uma réstia de esperança, um sentimento de conforto e a certeza de que, afinal, nem tudo é mau num reino em que o rei está praticamente nu.
Fonte: JN - António Ribeiro Ferreira, Jornalista

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