segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Agentes da PSP forçados a dar impressões digitais

Ministério Público detectou impressão digital numa carta anónima, difamatória do anterior comandante da PSP e obriga 150 efectivos do comando a submeterem-se a comparação.

Centena e meia de agentes e oficiais da PSP de Viana do Castelo e Ponte de Lima vão começar hoje a fornecer impressões digitais, por decisão do Ministério Público (MP), para serem comparadas com as marcas detectadas em várias cartas anónimas, difamatórias, que circularam naquele comando nos últimos meses e que culminaram com a substituição da anterior liderança.
Em causa estão diversas cartas cuja autoria não é revelada mas que apareceram sempre no período nocturno, no interior de divisões da sede do Comando Distrital, em Viana do Castelo.
Numa dessas cartas, precisamente no dia em que foi conhecida a substituição do Comando, até então liderado por Martins Cruz, aquele intendente surge caricaturado a fazer uma "despedida" reconhecendo que "atiraram comigo para a prateleira da inspecção-geral" e descrevendo-se como um "Zé-ninguém".
"Nunca mais me confiam um comando", dizia ainda, numa carta que chegava ao ponto de ser, falsamente, assinada pelo intendente e que foi amplamente divulgada a 14 de Maio pelas instalações do comando, o que levou Martins Cruz a participar o caso ao MP, que avançou com um inquérito.
Depois de uma avaliação preliminar ter detectado impressões digitais na carta, agora, segundo decisão do MP, todos os elementos com funções policiais e não policiais que naquela data constituíam o efectivo vão começar a ser chamados, a partir de hoje, para serem redesenhados.
Ou seja, uma recolha de impressões digitais que se vai prolongar, apurou o DN, até 25 de Setembro, indiciando a suspeita de que elementos daquele Comando terão estado na sua origem, assim como de outras que circularam durante meses naquela força, difamando o intendente Martins Cruz - além do segundo comandante -, e que agora também estão a ser investigadas.
Nestas cartas, alegadamente difundidas por elementos naquele Comando, o oficial é apelidado de "tirano" aparecendo numa delas com uma fotografia, adulterada, em que aparece "transfigurado" de mordoma de Viana.
Entre 2006 e 2009 o comando foi ainda alvo de várias queixas apresentadas anonimamente e que colocavam em causa a gestão e liderança, mas entretanto todas arquivadas pelo MP. Certo é que com este cenário, em Maio último, a Tutela decidiu não renovar a comissão de serviço de Martins Cruz, numa decisão que, na altura, foi conotada como resultado da pressão sindical para substituição, porque dias antes representantes dos agentes reuniram com o Ministro da Administração Interna.
Apesar de um abaixo-assinado, em que foram recolhidas perto de 3800 assinaturas, reclamando a permanência de Martins Cruz - que justificam com o "sentimento de segurança" transmitido pela redução de criminalidade neste período -, mas a decisão acabou por ser irreversível. Apesar de elogiar a prestação de Martins Cruz, o director-nacional da PSP , Oliveira Pereira, disse que não cedia a petições ou pressões que os comandos da PSP eram decididos por si e por mais ninguém.
Nem mesmo depois da tomada de posição de parte significativa de oficiais e agentes daquele comando, classificando-o como "brioso profissional" e definindo a sua substituição como"uma injustiça". "Fica o sentimento que um sindicato manda mais do que um comandante de polícia", rematavam.

Fonte: DN Portugal

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