segunda-feira, 14 de setembro de 2009

PSP acelera para apresentar polícias antes das eleições


Fim do curso dos novos agentes da PSP estava marcado para o final do mês, mas foi antecipado para uma semana antes das eleições. Governo diz que não interferiu na decisão.


A Direcção Nacional da PSP assume ter acelerado o final do curso dos 900 novos agentes desta força de segurança para que a sua apresentação pública fosse uma semana antes das eleições. O término desta formação estava previsto para dia 25, apenas dois dias antes do acto eleitoral, o que não permitiria proporcionar o devido destaque ao importante acto.
A PSP decidiu antecipar a cerimónia pública do compromisso de honra já para o próximo dia 18. Algumas palestras marcadas para os últimos dias de Setembro foram mesmo antecipadas para a próxima semana e estão a ser leccionadas em contra-relógio, de modo a garantir que os novos agentes estejam prontos na sexta-feira. O estágio curricular dos agentes foi também encurtado em quatro dias.
Fonte oficial da PSP garante que não houve qualquer "pressão" do Ministério da Administração Interna (MAI) para executar esta alteração de modo a permitir ao actual Governo, em campanha eleitoral, promover o tão esperado reforço do efectivo.
O MAI remete para a PSP a justificação da iniciativa. Fonte oficial do gabinete do ministro diz que "foi informado pela PSP de que o curso estava a terminar e limitou-se a dizer para ser determinada a data para o compromisso de honra" dos novos agentes. O MAI assegura que "tornou claro que não pretendia interferir nessa escolha".
O reforço do efectivo durante o acto eleitoral é a justificação da PSP: "Atendendo à realização de acto eleitoral no dia 27 de Setembro, o director nacional da PSP entendeu adequado que os novos agentes estejam já em funções nesse dia, por forma a reforçar o dispositivo de segurança do País em geral e do acto eleitoral em particular. Assim, foi definida a data de 18 de Setembro para a realização do compromisso de honra dos novos agentes, para que possam ingressar nos comandos policiais respectivos na semana seguinte e estar já operacionais no dia 27 de Setembro".
Esta justificação, contudo, deixa "muito alarmado" o presidente do maior sindicato da PSP. Paulo Rodrigues, dirigente da Associação Sindical de Profissionais da Polícia (ASPP), afirma que "até seria aceitável e compreensível a antecipação para que o compromisso de honra não ficasse tão em cima do acto eleitoral." No entanto "se foi para reforçar o efectivo nesse evento" o facto deixa-o "duplamente preocupado."
Para o dirigente da ASPP "a justificação dada pela PSP leva a pressupor que a situação ainda é muito pior do que se pensava e será duplamente grave. Se o curso foi acelerado para garantir a segurança das eleições, quer dizer que o actual efectivo não tinha capacidade para isso - o que é grave. Por outro lado, se a PSP vai usar agentes novos, acabados de sair da escola, para reforçar a segurança de um acontecimento como este, também é preocupante, pois ainda não estão qualificados para ir para o terreno".
Ao que o DN apurou, a antecipação da data do final do curso - que chegou a ser anunciada para Outubro, de acordo declarações feitas pela PSP à agência LUSA, em Junho último - deixou um grande mal estar nos responsáveis da Escola Prática , em Torres Vedras.

Fonte DN Portugal

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