sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Unidade especial do DIAP e a PSP desmantelam grupo violento

Seguranças do K batem e roubam

Oito dos onze ladrões eram seguranças da famosa discoteca Kremlin, Lisboa, e rodaram entre si nos seis roubos violentos que fizeram ao final da noite a clientes da casa e não só. Um deles esteve em todos, de Abril a Novembro do ano passado, desde o turista quase esganado por dois mil euros ao jogador do casino que foi seguido até casa e espancado pelos 700 euros que acabara de ganhar.
Todos de madrugada; quase todos sem sentidos depois de um golpe de artes marciais.
Quando foram expulsos do interior do Kremlin, já às 08h30 de 1 de Novembro, dois amigos tiveram a infeliz ideia de ainda ficar à conversa na esquina que liga a avenida 24 de Julho às escadinhas da Praia, rua onde fica a discoteca. Foram seguidos por seis seguranças da casa – e, depois de serem rodeados, acabaram os dois agarrados pelo pescoço e espancados com sucessivos socos e pontapés “até perderem a consciência”, lê-se na acusação do Ministério Público (MP) a que o CM teve ontem acesso.
Tudo pelos três telemóveis das vítimas, no valor total de 1050 euros, e ainda 150 euros em dinheiro. Até à operação da 5ª Esquadra de Investigação Criminal da PSP, já em Maio deste ano, sob a coordenação da Unidade Especial de Combate ao Crime Especialmente Violento do DIAP de Lisboa, quase todos os casos dizem respeito a clientes seguidos à saída do Kremlin e atacados.
Mas uma das vítimas só teve o azar de, pelas 03h00 de 11 de Julho de 2008, ter sido vista por dois seguranças a ganhar 700 euros no Casino Lisboa.
O seu Mercedes foi seguido até Telheiras e, mal saiu do carro, já o estavam a agarrar pelo pescoço. Levou vários murros e fizeram-lhe uma ‘chave’ até perder a consciência. Roubaram-lhe 1500 euros, um fio de ouro e um telemóvel. E a 9 de Novembro, pelas 09h00, dois amigos iam a pé para o carro depois de uma noite no Kremlin, mas não chegaram a entrar no automóvel. Antes disso foram apanhados por elementos do gang. Depois de espancados, ficaram sem 1500 euros.
MATRACAS, GÁS-PIMENTA E ARMA DE CHOQUES
Durante a operação policial, a 13 de Maio deste ano, as equipas da 5ª Esquadra de Investigação Criminal da PSP apreenderam a um dos suspeitos uma pistola da marca Taurus, calibre 6,35 mm, uma lata de gás-pimenta e um par de matracas em madeira com corrente de metal.
Outro dos acusados pelo DIAP de Lisboa foi apanhado com uma pistola de alarme adaptada artesanalmente ao calibre 6,35 mm e uma embalagem de gás-pimenta. Um terceiro arguido tinha também uma pistola de alarme transformada para fazer disparos de munição real. A única mulher envolvida no caso, mas que não está relacionada com os roubos praticados pelos amigos, foi detida na posse de uma arma de choques eléctricos, taser, sem qualquer mecanismo de segurança. Foram ainda apreendidas 755 gramas de haxixe numa casa.
PAULO BAPTISTA, EM FUGA, É UM DOS SUSPEITOS
Um dos seguranças do grupo K identificado como autor de agressões e roubos a clientes é Paulo Baptista – colocado na discoteca Kapital, perto do Kremlin – que está foragido à justiça desde Abril no âmbito do processo Máfia da Noite, em que foi condenado a seis anos e três meses de prisão por extorsão.
Baptista era considerado o braço-direito de Alfredo Morais – cabecilha do grupo e que também fugiu no dia da sentença, mas entretanto foi apanhado na Letónia, estando à espera da extradição – e, caso se entregue ou seja apanhado, além de cumprir pena nesse caso terá de responder neste processo.
PORMENORES
TREZE ACUSADOS
A unidade especial do DIAP de Lisboa, que este ano desmantelou a Máfia da Noite, Gang do Multibanco ou crimes nos No Name Boys, entre outros, acusa aqui treze pessoas.
GRUPO K
O CM tentou contactar responsáveis do grupo K, que detém a Kapital e Kremlin, mas não foi possível até ao fecho desta edição.
ROUBO E ARMA PROIBIDA
As acusações neste caso variam entre os crimes de roubo e detenção de arma proibida.
Fonte: Correio da Manhã

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