domingo, 1 de novembro de 2009

PSP apanha polícias espanhóis a vender presunto ilegal

Um dos polícias envolvidos, agente da Guardia Civil, está detido por posse ilegal de arma. A Direcção Nacional da PSP não quer falar do caso

Dois militares da Guardia Civil espanhola foram apanhados, sexta- -feira, por uma patrulha da Divisão da PSP do Seixal, a venderem ilegalmente 17 toneladas de presunto a um grupo da comunidade cigana de Arrentela, localidade do concelho. Um dos espanhóis está detido no comando de Setúbal por posse ilegal de arma.

A Direcção Nacional da PSP não quis comentar o caso e deu ordens para ninguém desta força de segurança fazer declarações, pois entende que o envolvimento de agentes de autoridade de uma força de segurança espanhola num caso desta dimensão deve ser tratado com toda a discrição.

Ao que o DN apurou a PSP informou desde logo a Direcção-Geral da Guardia Civil, bem como o ministério da Administração Interna, o qual, pelos canais oficiais deu a conhecer a situação ao Ministério do Interior espanhol.

Os dois militares estavam à paisana e foram identificados por uma patrulha da PSP que, por acaso, passava no local onde estava a ser efectuado o negócio.

Uma discussão em voz bastante alta entre os elementos de etnia cigana e os dois homens terá alertado a atenção dos agentes.

Pararam o carro, aproximaram-se e aperceberam-se que os indivíduos falavam espanhol e que o objecto da acalorada discussão era o preço do produto. Os espanhóis, aparentemente, estavam a cobrar mais do que, alegadamente, tinha sido combinado. Entretanto, os agentes da PSP depararam com o veículo pesado, com matrícula espanhola a transbordar de presuntos. Não era preciso muito mais para considerarem toda a situação suspeita.

De imediato pediram reforços e começaram a identificar os presentes. A grande surpresa foi quando os espanhóis se identificaram como sendo militares da Guardia Civil (a congénere da GNR em Espanha). O Comando de Setúbal foi logo informado, bem como a Direcção Nacional da PSP.

Um dos elementos da Guardia Civil tinha uma arma de fogo e foi feita a sua detenção. De acordo com a legislação, um estrangeiro não pode ter posse de uma arma noutro país, mesmo que no seu esteja devidamente legalizada. Mesmo sendo um polícia.

O presunto estava acondicionado num tractor com reboque. Tratando-se de bens alimentares a Divisão da PSP do Seixal contactou a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) que enviou ao local uma equipa de inspectores. Os presuntos, apesar de apresentarem boa qualidade, estavam fora do prazo da validade inscrita nos rótulos.

As 17 toneladas de presunto foram apreendidas pela ASAE e ficando á guarda da PSP. Segunda-feira vão ser analisadas para avaliar se estão ou não em condições de consumo. Nesse caso o presunto é encaminhado para instituições de solidariedade social. O mesmo vai acontecer com as 37 toneladas de camarão congelado que a ASAE apreendeu, também da sexta-feira, em Abrantes.

Fonte: DN Portugal