quarta-feira, 28 de julho de 2010

conflito "grave" na PSP

Novos horários e atraso nas promoções criam conflito "grave" na PSP


O maior sindicato da polícia entende que a "arrogância" e a "prepotência" dos comandos ultrapassaram os limites razoáveis.
As novas escalas de horários, que vão entrar em vigor no próximo dia 1 de Agosto na PSP, estão a provocar uma cisão entre oficiais de comando e os milhares de agentes de base. O presidente da ASPP (Associação Sindical dos Profissionais da Polícia), a maior organização sindical desta força de segurança, classifica a situação como "muito grave" e desafia o director nacional da PSP a "fazer uma reflexão séria sobre o que está a passar-se".
Em causa estão os novos horários, que transformaram as cerca de 600 escalas diferentes em apenas uma centena. Há casos em que a carga horária ultrapassa as 36 horas semanais, definidas pelo estatuto; há agentes que passam a fazer horários de 12 horas seguidas e, na investigação criminal, por exemplo, há esquadras que eliminaram os horários nocturnos, podendo comprometer as diligências em curso. Muitos agentes perdem o suplemento de turno, vendo reduzido o seu salário.
Sem pôr em causa a "necessidade de homogeneizar as escalas", o dirigente da ASPP Paulo Rodrigues acredita que "tudo foi deitado a perder pela forma arrogante e prepotente com que os comandos impuseram as novas regras aos agentes". Simplesmente, alega, "nem sequer foi negociado com os sindicatos, numa clara violação da lei sindical, ou sequer conversado com os profissionais que vêem a sua vida alterada de um momento para o outro, sem a menor consideração".
Este alto dirigente receia que esteja a criar-se uma "cisão grave" na PSP: "Parece que estamos perante duas polícias, a dos oficiais de comando com o apoio da direcção nacional (DN) e a dos agentes." Paulo Rodrigues vislumbra "sinais preocupantes de uma enorme falta de sentido democrático numa instituição onde tanto se lutou por essa conquista, a da existência de sindicatos".
A agravar esta situação de clivagem está ainda o atraso inédito na conclusão de concursos de promoção. O mais grave é o dos cerca de 800 agentes que há mais de ano e meio fizeram o concurso para agentes principais e que, até agora, ainda não viram os seus salários aumentados. E trata-se de cerca de mais 200 euros mensais, o que, em salários de 800/1000 euros, é significativo.
Em Maio, o DN noticiou que o Ministério das Finanças tinha congelado as verbas para estes acertos, mas o Ministério da Administração Interna (MAI) garantiu que iam ser desbloqueadas. Passados dois meses nada aconteceu. "Neste momento, tudo indica que há interesse, talvez financeiro, em protelar estas promoções. Resta saber se por ordem do ministério ou do Comando da PSP", lamenta Rodrigues.
Até á hora do fecho desta edição, nem a Direcção da PSP nem o Ministério da Administração Interna responderam ao DN.

Fonte: DN Portugal

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Esquadra "não aguenta mais dois anos"


A Associação Sindical dos Profisionais da Polícia (ASPP/PSP) alerta para a necessidade de avançar “rapidamente” a mudança de instalações da Divisão de Trânsito do Porto (DT). E quer respostas mais precisas do Governo, que tem apontado para o próximo ano.

“Desde 2005 que se prometem sucessivamente melhorias, sem que nada seja feito. Agora não sabemos quando começam e quando terminarão as obras (no Bom Pastor, para onde está prevista a transferência da DT). Temos dúvidas que a actual esquadra aguente mais dois anos nestas condições”, realçou, ao JN, Paulo Rodrigues, presidente da ASPP.
Há muito que o edifício da Rua Porta do Sol, nas traseiras do antigo Comando da PSP, na Batalha, figura na “lista negra” das esquadras da cidade. Os 225 elementos prestam serviço num imóvel com quatro pisos, em degradação contínua e com problemas de infiltrações de água, humidade e até saneamento. Os vestiários e os sanitários também são apontados como insuficientes.
Paulo Rodrigues salienta que as carências se estendem aos cidadãos que se deslocam à esquadra. “Muitas vezes, após as operações e enquanto têm de esperar para tratarem dos processos, chegam a juntar-se 20 ou 30 pessoas num átrio sem condições, sujeitas a frio ou calor insuportáveis”, explicou o dirigente.
As questões das motas de serviço que “se acumulam há vários meses a aguardar pequenas reparações” e das escalas de serviço que são comunicadas aos profissionais com poucas horas de antecedência também contribuem para o “desagrado” generalizado na DT, destacou o presidente da ASPP.

Fonte: JN

terça-feira, 13 de julho de 2010

Polícias à beira do “limite”


Agentes da Divisão de Trânsito da PSP do Porto obrigados a pedir para usar quartos de banho de cafés


Há agentes a vestir-se nos gabinetes de trabalho dos colegas. Há esgotos entupidos com frequência, obrigando os polícias a usar os quartos de banho dos cafés. E, sempre que chove, há água dentro das instalações. A Divisão de Trânsito da PSP está “no limite”.
A sala de atendimento ao público é a única área do edifício, com cerca de 70 anos, situado na Rua Portas do Sol, que sofreu obras nos últimos anos. “Tem condições razoáveis”, garante a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia - ASPP/PSP. Mas nem isso salva a “honra do convento”. É que a fossa do prédio está sempre a entupir e o cheiro chega até àquela sala.
Mais grave do que isso é que, sempre que a fossa entope, os 197 agentes do Trânsito, que dispõem apenas de uma casa de banho em todo o edifício, ficam sem sanitários. E são obrigados a recorrer a cafés ou outros estabelecimentos públicos das redondezas.
Mesmo que a casa de banho esteja operacional, só os primeiros a conseguem usar: apenas serão colocados diariamente dois rolos de papel higiénico para todo o efectivo de agentes. Faltam ainda sabonete líquido e toalhetes.
O efectivo do Trânsito também não dispõe de um local “digno” para se fardar. A maioria dos agentes usa vestiários “improvisados” nas águas furtadas. “Têm más condições de conservação, pouca iluminação e não existem armários, há demasiado pó nas superfícies e, quando chove, entra água que se acumula no chão”, descrevem. Por isso, alguns mudam de roupa em salas onde outros colegas trabalham. “É uma falta de dignidade”, diz o Sindicato.
O próprio edifício onde funciona a Divisão de Trânsito há muito que precisa de obras. “As instalações estão muito degradadas, o soalho é em madeira antiga, sem tratamento, desnivelado, as paredes e os tectos apresentam fendas, humidades e deformações”, descrevem os agentes.
Além disso, o prédio não tem qualquer sistema de renovação do ar. “Em duas salas, trabalham sete ou dez pessoas, o que torna o ar insustentável. A ventilação é feita com a abertura de portas e janelas”, contam.
Também os veículos estão velhos e com muitos quilómetros, não oferecendo condições de segurança. Os horários de trabalho são outro problema, dado que os agentes são escalados de véspera. O Sindicato garante: Os elementos da Divisão de Trânsito estão a trabalhar no limite da resistência física e psicológica, com um espírito de sacrifício muito grande.
O Governo reconhece o problema e promete uma solução para breve. “Esta questão está a ser resolvida”, adiantou, ao JN, o secretário de Estado da Administração Interna, assegurando que, no próximo ano, começarão a ser construídas as novas instalações do Comando Metropolitano.
“Serão junto à esquadra do Bom Pastor. O processo de restruturação inicia-se no final do ano. A Divisão de Trânsito vai ser lá colocada”, explicou José Conde Rodrigues.

Fonte: JN

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Agressões a polícias subiram para o dobro em 5 anos

Um estudo interno à vitimação policial na PSP mostra que nunca houve tantos agentes atacados.

Nos últimos cinco anos, as agressões contra agentes da PSP subiram para o dobro. Em 2005 foram 166 e em 2009 o número escalou para os 339 casos. Desde 2006 que a curva de evolução desta realidade é ascendente. Este é o valor registado num inquérito interno que a PSP realizou para aprofundar o conhecimento desta realidade, o primeiro do género alguma vez realizado no País.
O director nacional da PSP, Oliveira Pereira, elegeu como prioridade estancar estes valores e tem concluída uma directiva operacional para todos os comandos, com várias medidas que devem ser tomadas (ver texto ao lado). Uma maior responsabilização dos comandantes em relação aos profissionais agredidos e um reforço no treino de intervenção policial, a partir da Escola Prática, são algumas das decisões tomadas. Amanhã, nas comemorações do dia da PSP, esta situação é ponto de honra no seu discurso.
O inquérito destinou -se a todos os elementos policiais que foram vítima de agressão de 2005 a 2009 e foram validadas para este um total de 957 casos de agressão. Em média, neste período foram agredidos dois polícias em cada três dias.
De acordo com o estudo, analisado e coordenado pelo Departamento de Informações Policiais da PSP, há vários resultados que merecem atenção especial. A maior incidência de agressões é sobre os agentes mais novos, com menos anos de serviço. Os casos em que é prestado apoio psicológico por parte da PSP é "residual", bem como a aplicação de medidas de protecção às vítimas. Apenas sete casos nas mais de nove centenas de agredidos.
Grande parte das agressões ocorreu na sequência da resposta a uma chamada do 112 (38,8%) e a maioria aconteceu na via pública (62,5%), mas também há agressões em esquadras (7,4%). Em 30% dos casos os polícias foram agredidos por grupos, dos quais em 36,2% das situações existiam mais de sete agressores.
Este inquérito pretendeu também avaliar o impacto que estas agressões tinham a nível operacional e de custos para o Estado e foi constatado que um terço dos polícias meteu baixa médica, 27% mais de 30 dias.
O presidente do maior sindicato da PSP, a ASPP (Associação Sindical de Profissionais de Polícia), "louva" a realização deste estudo. Paulo Rodrigues acredita, contudo, "que os números deste inquérito pecam muito por defeito, pois há uma grande parte dos polícias agredidos que não dá conhecimento à hierarquia nos casos menos graves". Defende uma "alteração ao modelo de policiamento para um apoio mais eficaz aos patrulheiros. As equipas de intervenção rápida foram criadas para isso, mas têm sido mais utilizadas na fiscalização de trânsito".
Paulo Pereira de Almeida, especialista em políticas de segurança, nota a "falta sinais, por parte do poder político, de reforço da legitimação social da autoridade da polícia". Na sua opinião, "um programa político para as Forças e Serviços de Segurança (FSS) válido terá de passar sempre pela qualificação, reforço da autoridade e mudança da imagem social das FSS junto dos cidadãos e comunidades".
FONTE: DN Portugal