quinta-feira, 1 de julho de 2010

Agressões a polícias subiram para o dobro em 5 anos

Um estudo interno à vitimação policial na PSP mostra que nunca houve tantos agentes atacados.

Nos últimos cinco anos, as agressões contra agentes da PSP subiram para o dobro. Em 2005 foram 166 e em 2009 o número escalou para os 339 casos. Desde 2006 que a curva de evolução desta realidade é ascendente. Este é o valor registado num inquérito interno que a PSP realizou para aprofundar o conhecimento desta realidade, o primeiro do género alguma vez realizado no País.
O director nacional da PSP, Oliveira Pereira, elegeu como prioridade estancar estes valores e tem concluída uma directiva operacional para todos os comandos, com várias medidas que devem ser tomadas (ver texto ao lado). Uma maior responsabilização dos comandantes em relação aos profissionais agredidos e um reforço no treino de intervenção policial, a partir da Escola Prática, são algumas das decisões tomadas. Amanhã, nas comemorações do dia da PSP, esta situação é ponto de honra no seu discurso.
O inquérito destinou -se a todos os elementos policiais que foram vítima de agressão de 2005 a 2009 e foram validadas para este um total de 957 casos de agressão. Em média, neste período foram agredidos dois polícias em cada três dias.
De acordo com o estudo, analisado e coordenado pelo Departamento de Informações Policiais da PSP, há vários resultados que merecem atenção especial. A maior incidência de agressões é sobre os agentes mais novos, com menos anos de serviço. Os casos em que é prestado apoio psicológico por parte da PSP é "residual", bem como a aplicação de medidas de protecção às vítimas. Apenas sete casos nas mais de nove centenas de agredidos.
Grande parte das agressões ocorreu na sequência da resposta a uma chamada do 112 (38,8%) e a maioria aconteceu na via pública (62,5%), mas também há agressões em esquadras (7,4%). Em 30% dos casos os polícias foram agredidos por grupos, dos quais em 36,2% das situações existiam mais de sete agressores.
Este inquérito pretendeu também avaliar o impacto que estas agressões tinham a nível operacional e de custos para o Estado e foi constatado que um terço dos polícias meteu baixa médica, 27% mais de 30 dias.
O presidente do maior sindicato da PSP, a ASPP (Associação Sindical de Profissionais de Polícia), "louva" a realização deste estudo. Paulo Rodrigues acredita, contudo, "que os números deste inquérito pecam muito por defeito, pois há uma grande parte dos polícias agredidos que não dá conhecimento à hierarquia nos casos menos graves". Defende uma "alteração ao modelo de policiamento para um apoio mais eficaz aos patrulheiros. As equipas de intervenção rápida foram criadas para isso, mas têm sido mais utilizadas na fiscalização de trânsito".
Paulo Pereira de Almeida, especialista em políticas de segurança, nota a "falta sinais, por parte do poder político, de reforço da legitimação social da autoridade da polícia". Na sua opinião, "um programa político para as Forças e Serviços de Segurança (FSS) válido terá de passar sempre pela qualificação, reforço da autoridade e mudança da imagem social das FSS junto dos cidadãos e comunidades".
FONTE: DN Portugal

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