terça-feira, 13 de julho de 2010

Polícias à beira do “limite”


Agentes da Divisão de Trânsito da PSP do Porto obrigados a pedir para usar quartos de banho de cafés


Há agentes a vestir-se nos gabinetes de trabalho dos colegas. Há esgotos entupidos com frequência, obrigando os polícias a usar os quartos de banho dos cafés. E, sempre que chove, há água dentro das instalações. A Divisão de Trânsito da PSP está “no limite”.
A sala de atendimento ao público é a única área do edifício, com cerca de 70 anos, situado na Rua Portas do Sol, que sofreu obras nos últimos anos. “Tem condições razoáveis”, garante a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia - ASPP/PSP. Mas nem isso salva a “honra do convento”. É que a fossa do prédio está sempre a entupir e o cheiro chega até àquela sala.
Mais grave do que isso é que, sempre que a fossa entope, os 197 agentes do Trânsito, que dispõem apenas de uma casa de banho em todo o edifício, ficam sem sanitários. E são obrigados a recorrer a cafés ou outros estabelecimentos públicos das redondezas.
Mesmo que a casa de banho esteja operacional, só os primeiros a conseguem usar: apenas serão colocados diariamente dois rolos de papel higiénico para todo o efectivo de agentes. Faltam ainda sabonete líquido e toalhetes.
O efectivo do Trânsito também não dispõe de um local “digno” para se fardar. A maioria dos agentes usa vestiários “improvisados” nas águas furtadas. “Têm más condições de conservação, pouca iluminação e não existem armários, há demasiado pó nas superfícies e, quando chove, entra água que se acumula no chão”, descrevem. Por isso, alguns mudam de roupa em salas onde outros colegas trabalham. “É uma falta de dignidade”, diz o Sindicato.
O próprio edifício onde funciona a Divisão de Trânsito há muito que precisa de obras. “As instalações estão muito degradadas, o soalho é em madeira antiga, sem tratamento, desnivelado, as paredes e os tectos apresentam fendas, humidades e deformações”, descrevem os agentes.
Além disso, o prédio não tem qualquer sistema de renovação do ar. “Em duas salas, trabalham sete ou dez pessoas, o que torna o ar insustentável. A ventilação é feita com a abertura de portas e janelas”, contam.
Também os veículos estão velhos e com muitos quilómetros, não oferecendo condições de segurança. Os horários de trabalho são outro problema, dado que os agentes são escalados de véspera. O Sindicato garante: Os elementos da Divisão de Trânsito estão a trabalhar no limite da resistência física e psicológica, com um espírito de sacrifício muito grande.
O Governo reconhece o problema e promete uma solução para breve. “Esta questão está a ser resolvida”, adiantou, ao JN, o secretário de Estado da Administração Interna, assegurando que, no próximo ano, começarão a ser construídas as novas instalações do Comando Metropolitano.
“Serão junto à esquadra do Bom Pastor. O processo de restruturação inicia-se no final do ano. A Divisão de Trânsito vai ser lá colocada”, explicou José Conde Rodrigues.

Fonte: JN

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