sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Suicídios nas polícias

Suicídios nas polícias


Na sua obra clássica do final do século XIX, o sociólogo francês Émile Durkheim classifica o fenómeno social do suicídio e procura tipificar as suas causas. O autor conclui que as estatísticas demonstram que durante as crises económicas e os períodos de recessão as taxas de suicídio aumentam, mas que nos períodos de crescimento económico também se verificam elevadas taxas de suicídio. A conclusão de Durkheim é a de que não era seria a pobreza a motivar o suicídio. Essencialmente, e segundo o autor, é em perío-dos de enfraquecimento das normas sociais e de redução da coe-são das sociedades que existem taxas de suicídio mais elevadas.
Estas constatações de Durkheim - que ainda hoje se mantêm, no seu essencial, como verificadas e verificáveis - são úteis para, em meu entender, nos recordarmos da complexidade de factores e da multiplicidade de situações envolvidas na questão profundamente delicada - e controversa - do suicídio. Assim sendo, abordar semelhante questão quando falamos das forças e serviços de segurança (FSS) e, no caso de Portugal, quando nos referimos às duas grandes polícias (PSP e GNR), implica um especial cuidado, concretamente com dois aspectos. Primeiro, implica ter em atenção que existe um "mito social" associado à ideia de que as taxas de divórcio, de alcoolismo e de suicídios são mais elevadas nos profissionais das FSS: por exemplo, no caso dos Estados Unidos da América, país relativamente ao qual existem alguns dados disponíveis, não há consenso quanto à taxa de suicídio das polícias ser três vezes superior à taxa de suicídios da população em geral, sendo disputada a ideia de que o número de suicídios de polícias é de cerca de 300 por ano. Em segundo, é fundamental perceber que existem igualmente factores que potenciam a probabilidade de um profissional das FSS cometer suicídio, designadamente o desgaste a que uma profissão que lida com elevados níveis de violência - e de pressão psicológica - submete estas pessoas: aliás, e curiosamente, sabe-se que um número considerável de agentes que comentem suicídio fazem-no com outra arma que não a de serviço, pelo que o facto de terem uma arma de fogo à sua disposição não parece ser um factor determinante nessa decisão dramática e irreversível.
Por tudo isto, espera-se que as conclusões de dois estudos recentemente apresentados pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) sejam tidas em conta em futuros programas governamentais dirigidos à população dos profissionais das FSS. Concretamente, é essencial tomar em consideração que - de acordo com esses estudos - "os agentes da PSP vivem menos 11 anos do que a restante população, apresentam uma maior prevalência de perturbações mentais e são sujeitos a violência no local de trabalho por parte de colegas e superiores hierárquicos", segundo noticiava o jornal i na semana passada. Além disso - e de acordo com os estudos citados pelo mesmo jornal -, "63% das mortes de agentes no activo resultam de suicídios - a principal causa de morte não natural dos polícias". Por fim, uma outra nota digna de referência relaciona-se com uma queixa que a ASPP fez à Organização Internacional do Trabalho (OIT), referente à "ausência de legislação que obrigue à fiscalização das condições de higiene e segurança no trabalho e das más condições das esquadras", segundo a mesma notícia do jornal i: uma situação - lamentável a todos os títulos - que se espera venha a merecer a devida atenção do actual ministro da Administração Interna.


Fonte: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2086182&seccao=Paulo+Pereira+de+Almeida&tag=Opini%E3o+-+Em+Foco

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Polícias morrem 11 anos mais cedo que o resto da população

Polícias morrem 11 anos mais cedo que o resto da população


Um estudo mandado realizar pela Direcção Nacional da PSP conclui que a esperança de vida dos agentes é de 67,5 anos, menos 11 que a média geral da população. Estes resultados foram até agora mantidos em segredo numa altura em que os sindicatos se batem contra o aumento da idade da reforma
A esperança média de vida de um agente da PSP é de 67,5 anos. A conclusão é de um estudo realizado pelos serviços sociais daquela força segurança, a pedido da respectiva Direcção Nacional. O documento revela, assim, que os agentes morrem 11 anos mais cedo do que a média geral da população, cuja esperança de vida é de 78,7 anos.
Numa altura em que os sindicatos daquela classe profissional se batem contra o aumento da idade da reforma, que o Governo quer fixar nos 60 anos e 40 anos de serviço, o relatório tem estado escondido. Até o próprio Ministério da Administração Interna (MAI) garante desconhecê-lo. A PSP não respondeu aos pedidos de esclarecimento do DN.
O estudo realizado pelos serviços sociais envolveu uma amostra de três mil agentes de várias gerações, estando a sua cientificidade atestada. Trata-se de um documento fulcral para os sindicatos que, neste momento, tentam negociar com o MAI a idade da reforma.
Os agentes alegam que a sua profissão, sendo exercida por turnos, e em constante stress, se torna altamente desgastante. Por isso, defendem o acesso à pré-aposentação aos 55 anos ou 36 anos de serviço. O Governo quer aquele "ou" substituído por um "e". A agravar o cenário, a tutela quer também que, em 2014, todos os polícias estejam equiparados aos funcionários públicos, avançando a pré-aposentação para os 60 anos, sendo de prever que a reforma venha a ser apenas aos 65 anos.
O MAI diz desconhecer o estudo. No entanto, o DN sabe que a Associação Sindical dos Profis-sionais da Polícia (ASPP), nas rondas de negociações com a tutela sobre o novo estatuto profissional, tem referido a existência de dados que apontam para uma esperança de vida 11 anos menor que a restante população, considerando "injusto" que isso não seja tido em conta para a reforma. O MAI não tem mostrado sensibilidade perante o argumento, alegando a inexistência de estudos científicos.

Suicídio é a principal causa de morte não natural nos polícias

Suicídio é a principal causa de morte não natural nos polícias


O suicídio é a principal causa de morte não natural entre os agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), revela um estudo hoje, terça-feira, divulgado em Peniche durante um seminário dos Serviços Sociais desta força de segurança.
"A principal causa de morte na Polícia entre 2006 e 2009 são os suicídios, que têm aumentado infelizmente, ocorrendo principalmente quando os agentes se encontram no activo", revelou a subcomissária Sílvia Caçador.
Segundo a autora do estudo, o problema pode estar relacionado "com uma falta de acompanhamento psicoafectivo e com as dificuldades em lidar com os problemas diários da profissão".
Os suicídios ocorrem durante a vida activa dos polícias, enquanto os acidentes de transporte, apontados como outra das principais causas de morte não naturais, acontecem já durante a aposentação.
As doenças do aparelho respiratório, provocados pela poluição atmosférica a que os polícias estão sujeitos quando fazem patrulhamento das ruas e pelo consumo de tabaco enquanto forma de escape para os problemas da profissão, são uma das principais causas de morte natural, seguindo-se as doenças do aparelho circulatório, tumores e perturbações mentais.
O estudo revela ainda que as maiores taxas de mortalidade ocorrem entre os 20 e os 24 anos de idade, devido "à inexperiência dos polícias em lidar com os problemas diários da profissão", ou entre os 50 e os 54 anos.

Directores da PSP aumentaram em segredo o seu salário

Directores da PSP aumentaram em segredo o seu salário

O Director-Nacional, os três Directores adjuntos e o Inspector Nacional da PSP aumentaram-se a si próprios já no ano passado, colocando-se logo no novo regime remuneratório da polícia, deixando para trás a esmagadora maioria do efectivo que não transitou para esta tabela, em vigor desde início do ano. Só para o "chefe" máximo foram mais de 800 euros mensais.
Os aumentos foram processados quando era Director Nacional o superintendente-chefe Francisco Oliveira Pereira, que se aposentou em Abril deste ano, e Director-Nacional Adjunto de Operações e Segurança, o superintendente-chefe Guedes da Silva, actualmente o chefe máximo.
A iniciativa foi discreta e, até agora, rodeada do maior secretismo, mas uma auditoria realizada este ano à PSP pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF) veio revelar a "traição" dos Directores aos seus homens.